Entrevista com Chuck Comeau na capa do jornal Polimetro da Colômbia

O Simple Plan está em um dos destaques de capa da edição de hoje do jornal colombiano Polimetro.

Com o intuito de divulgar o show que a banda fará em Bogotá, Chuck Comeau fala sobre a relação da banda com o país, o crescimento do Simple Plan durante os mais de 20 anos de carreira somado as mudanças da internet e reflete sobre músicas como “Perfect”, “Iconic” e “This Song Saved My Life”.

Vocês não voltam para a Colômbia há pouco mais de dez anos. Que lembranças você tem do nosso país e como se sente ao retornar depois de tanto tempo?
Ah, que lembrança! Já se passaram doze anos, isso é lamentável. Parece que foi ontem e me sinto mal por isso. Eu me lembro nítidamente da primeira vez que estivemos na Colômbia e foi uma experiência incrível. Lamentamos muito ter demorado tanto para voltar, mas estamos extremamente animados por estar de volta. É impressionante olhar para trás e perceber quanto tempo se passou.

Levando isso em consideração, há alguma música em seu repertório que tenha uma conexão com a Colômbia?
Posso dizer que estamos muito ligados a todos os nossos fãs ao redor do mundo. Conversamos com eles nas redes sociais e os encontramos nos shows. Então, em tudo o que fazemos, sempre há uma parte que se relaciona com os fãs que conhecemos. Por exemplo, “This Song Saved My Life” tornou-se uma música com a qual muitas pessoas se identificam pelo poder da música. Acho que isso é algo universal, não é mesmo? Isso se aplica às pessoas, seja nos Estados Unidos, na Europa, na Austrália, no Sudeste Asiático ou na América do Sul. Portanto, espero que as pessoas consigam se conectar, apesar de suas diferenças ou origens. Músicas como “Perfect” são um exemplo claro disso. Foi uma música muito pessoal que escrevemos e realmente pensávamos que não se conectaria com as pessoas porque era muito pessoal, mas acabou sendo exatamente o oposto. Descobrimos que, quanto mais abertos e honestos formos, quanto mais pessoal for nossa música, mais as pessoas poderão se identificar, porque poderão sentir a sinceridade e a autenticidade, perceberão que é real, genuíno e sincero, que realmente vem de um lugar verdadeiro. Portanto, acredito que as pessoas na Colômbia esperam sentir isso quando ouvirem nossa música agora que estamos de volta.

A música do Simple Plan marcou uma geração em nosso país, especialmente quando as redes sociais como o MySpace estavam em alta.
No início, quando começamos, tudo girava em torno da MTV em 2002 e os programas de rádio, que foi como o público descobriu nossa música. O MySpace marcou o início da era das mídias sociais e de como as pessoas se conectavam com os artistas. Quando começamos, lançamos DVDs de nossos shows e bastidores para mostrar aos fãs como éramos nos bastidores. Postamos vídeos em nosso site. Agora, tudo evoluiu muito e estamos na era do TikTok, Reels e Instagram. Mas o que não mudou para mim é que tudo se resume à comunicação entre fãs e banda e, pelo menos para nós, nunca quisemos ser uma banda misteriosa, desconhecida. Sempre quisemos trazer as pessoas para o nosso mundo e mostrar-lhes quem éramos, nossa personalidade, mostrar-lhes quem éramos fora do palco. Fazemos isso há 25 anos. Vejo isso como uma jornada cheia de experiências, aprendizados e crescimento como banda. Portanto, tem sido ótimo ver como tudo isso evoluiu, mas, fundamentalmente, nunca mudamos nossa abordagem, que é sermos muito abertos com nossos fãs e mostrar a eles quem realmente somos.

Falando de sua música mais recente, “Iconic”, ela é muito semelhante a “Shut Up!” de 2004. Nesse sentido, parece que a rebeldia do Simple Plan não mudou. Você acha que essa tem sido a chave para continuar fazendo música?
A realidade é que as pessoas mudam, certo? Elas evoluem. E agora, obviamente, temos vidas diferentes das que tínhamos quando tínhamos 21, 22, 23 anos, quando começamos. Mas, ao mesmo tempo, como você mencionou, acho que ainda nos lembramos do sentimento de sermos rejeitados e de estar apenas começando, e de como é ter esse sonho e provar que as pessoas estão erradas. De muitas maneiras, pela forma como somos, pela trajetória da banda e como as coisas aconteceram conosco, sempre sentimos esse tipo de peso em nossos ombros, como algo a provar. Nunca fomos a maior banda da nossa época. Nunca tivemos a música número um em todos os lugares, mas, ao mesmo tempo, tivemos que trabalhar duro e conquistar tudo o que temos. Acho que essa mentalidade permanece conosco, e acho que é positivo quando escrevemos músicas, fazê-lo a partir dessa perspectiva.

Quando você está lutando e sente que tem algo a provar e ainda está faminto por algo, continua sonhando. “Iconic” realmente fala sobre isso. Tentamos nos colocar no lugar do nosso eu de 20 anos e imaginar o quão intenso era esse sentimento. Tentamos lembrar o quanto queríamos essa carreira, o quanto queríamos fazer a diferença, o quanto queríamos ter sucesso e realizar esses sonhos que tínhamos. Portanto, é muito fácil voltarmos a sentir as mesmas emoções. Acho que ainda carregamos isso dentro de nós.

Alguma mensagem para seus fãs na Colômbia antes do show?
Gostaria apenas de agradecer a todos vocês por sempre apoiarem a banda. Vemos vocês nas redes sociais, vemos suas mensagens com as bandeiras colombianas em todos os lugares, nos convidando a voltar. Estamos esperando por vocês. Sabemos que não estivemos aí há mais de dez anos, então queremos agradecer pela paciência, por sempre nos apoiarem e por ouvir nossa música. Estivemos lá com nossas músicas em muitos momentos para muitas pessoas, e é muito gratificante perceber isso. Portanto, estou extremamente grato por nossa banda ter sido capaz de fazer parte de suas vidas e por termos conseguido ser, obviamente, uma pequena parte, mas ainda assim uma parte das experiências de todo o seu mundo emocional, e por ajudarmos de alguma forma a mantê-los fortes ou a superar momentos difíceis, ou até mesmo a celebrar momentos felizes em suas vidas. É realmente um presente.

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